- “The Dark Knight”: Aquele que é um dos grandes blockbusters deste Verão ganhou uma dimensão quase macabra depois da morte inesperada de Heath Ledger. A sua interpretação de Joker promete ser inesquecível, neste que foi o último filme que completou. O realizador Christopher Nolan conseguiu juntar um conjunto de actores verdadeiramente impressionante para continuar a sua interpretação das aventuras de Batman, renovando o género de cinema de super-heróis. Absolutamente imperdível.
- “Wall-E”: O cinema de animação em 3D tem sido um garante de sucesso para muitas produtoras, mas nenhuma o faz tão bem como a Pixar. Desta vez trazem-nos uma aventura interplanetária protagonizada por um simpático robô que ficou esquecido depois da humanidade ter abandonado a Terra. Este filme marca a segunda incursão de Andrew Stanton na realização a solo, depois do excelente ”À Procura de Nemo”.
- “The Escapist”: No seio de um ano carregado de mega-produções é importante chamar a atenção para projectos menores mas, nem por isso menos interessantes. Este thriller dramático ambientado numa prisão inglesa merece destaque, marcando a promissora estreia do britânico Rupert Wyatt na realização. O grande Brian Cox interpreta um condenado a prisão perpétua que giza um ambicioso plano de fuga para ver pela última vez a sua filha, que padece de uma doença terminal. Espera-se mais uma obra de referência no género dos “prison movies”.
- “Blindness”: Depois dum retrato impiedoso da realidade das favelas brasileiras de “Cidade de Deus” e dos complôs da indústria farmacêutica nesse thriller de referência que foi “O Fiel Jardineiro”, Fernando Meirelles arrisca adaptar a obra de José Saramago ao cinema. Caracterizada como infilmável, a obra “Ensaio sobre a Cegueira” serve de base a um drama intenso sobre uma cidade que é confrontada com um inexplicável surto de cegueira. Pelo que nos é dado a ver na trailer, Meirelles abordou o tema numa perspectiva de comentário social mesclado com elementos clássicos do filme-catástrofe.
- “The Curious Case of Benjamin Button”: Este filme marca o reencontro, pela terceira vez, de David Fincher com Brad Pitt, desta vez para uma adaptação de um conto de F. Scott Fitzgerald sobre um homem que nasce com 80 anos e vai rejuvenescendo ao longo da vida. Premissa para uma história fascinante, principalmente por que nos vai permitir ver Fincher a trabalhar num registo diferente, mesclando elementos de fantasia, comédia e romance. Cate Blanchett e a recentemente oscarizada Tilda Swinton são também cabeças de cartaz para este projecto de visionamento obrigatório.
- “Che”: Título provisório utilizado durante a apresentação no festival de Cannes (a versão final será dividida em dois filmes intitulados “The Argentine” e “Guerrilla”), esta realização do multifacetado Steven Soderbergh está já a gerar polémica devido ao ângulo de abordagem da vida de Ernesto “Che” Guevara. Alguns aplaudiram a recriação da personagem mítica, outros apuparam a “lavagem” das facetas pouco laudatórias do revolucionário argentino. Benicio Del Toro tem direito àquela que pode ser a interpretação da sua vida. Esperamos para ver quão à letra Soderbegh terá levado a máxima de John Ford “when the legend becomes fact, print the legend”.
- “Quantum of Solace”: Quem gostou da mudança radical que “Casino Royale” trouxe à personagem de James Bond estará certamente em pulgas para ver esta sequela. Daniel Craig regressa no papel do espião mais famoso de sempre enfrentando agora a obscura organização Quantum e os seus planos para derrubar um regime sul-americano, enquanto prossegue na busca de vingança pela morte de Vesper Lynd. Marc Forster, realizador de excelentes filmes como “Monster’s Ball” e “À Procura da Terra do Nunca”, foi o seleccionado para dirigir este vigésimo segundo capítulo da saga.
- “The Changeling”: Os anos passam e Clint Eastwood, agora dedicado exclusivamente à sua carreira na realização, continua a cimentar o seu estatuto como um dos últimos mestres do cinema clássico americano. Volta agora com um fascinante thriller ambientado na Los Angeles dos anos 20 e baseado na história verídica de uma mulher que suspeita que a criança, devolvida pela polícia depois de um rapto, não é verdadeiramente o seu filho. Angelina Jolie é a figura central desta obra que aparece como um dos mais fortes candidatos a vencer a Palma de Ouro em Cannes.
- “Body of Lies”: Ridley Scott traz-nos a sua visão sobre a guerra contra o terrorismo adaptando o best-seller homónimo de David Ignatius. Leonardo DiCaprio interpreta um agente da CIA que é enviado para a Jordânia para tentar capturar um perigoso terrorista. No papel do seu manipulativo chefe está Russell Crowe, que se tornou num dos actores fetiche do realizador britânico (este é já o quarto filme que fazem em conjunto).
- “X-Files: I Want to Believe”: Quando passam seis anos sobre a emissão do último episódio daquela que foi uma das mais populares séries de TV de sempre, Chris Carter decidiu ressuscitar os icónicos Fox Mulder e Dana Scully para uma nova incursão nas salas de cinema. Pouco se sabe sobre os detalhes do argumento e a trailer já apresentada é bem reveladora do esforço que tem sido feito para mantê-los em segredo. Certamente um filme obrigatório para todos os milhões de seguidores fiéis da série.
- “W.”: Uma letra apenas foi escolhida por Oliver Stone para título do seu novo filme biográfico sobre o ainda presidente dos Estados Unidos da América. No papel de George W. Bush estará um Josh Brolin irreconhecível após um espantoso trabalho de caracterização de que os media já têm feito eco. A acompanhá-lo vão estar James Cromwell, Ellen Burstyn e Jeffrey Wright, trazendo para a tela algumas das figuras centrais da política americana dos últimos 25 anos. Este promete ser o regresso do Oliver Stone polémico, o mesmo que nos trouxe os magistrais “JFK” e “Nixon”, registo em que de facto atingiu o topo da sua arte.
- “The Day the Earth Stood Still”: O filme original de 1951, realizado por Robert Wise, é um clássico do cinema de ficção-científica, produto dos medos e paranóias nucleares da guerra fria. Este remake será um enorme desafio para Scott Derrickson, conhecido essencialmente pelo interessante “O Exorcismo de Emily Rose”, na expectativa de vermos como vai adaptar à realidade actual esta história de um visitante alienígena e do seu omnipotente parceiro robótico, que vêm à Terra alertar a humanidade para o perigo de auto-destruição. Confirmados como protagonistas estão já Keanu Reeves e Jennifer Connely, bons talentos para um filme que poderá ser uma das surpresas do ano.

Recentemente foi transmitido na RTP 2 um excelente documentário sobre os tristes eventos ocorridos na prisão de Abu Ghraib, onde soldados norte-americanos torturaram cidadãos iraquianos, muitos deles inocentes. As fotografias e vídeos humilhantes que correram o mundo relembraram-nos que, independentemente da época ou do conflito em questão, a espada de Damócles do desrespeito dos direitos humanos pende sempre sobre a cabeça daqueles directamente envolvidos num acto de agressão. Como se afirmava nesse portento artístico que é “A lista de Schindler”, de Steven Spielberg, a guerra traz sempre ao de cima o pior que há em nós. No seio do caos bélico, o Homem está submerso na loucura da destruição mútua que cobra as suas vítimas visíveis no campo de batalha, mas também muitas invisíveis cuja psique fica para sempre afectada.
Haggis é um dos argumentistas mais respeitados de Hollywood e logo na sua primeira experiência como realizador, com ”Colisão”, conquistou o Óscar de melhor filme. O seu talento sai confirmado neste filme, que dirige de forma confiante e eficiente, sem grandes artifícios visuais, cingindo-se sempre ao essencial do guião do qual também é autor, afirmando-se como um dos grandes pintores da paisagem psicológica e social da América contemporânea.
Ao sair da sala de cinema depois de ver "Haverá sangue" somos invadidos por uma enorme sensação de felicidade. Não por estarmos perante um filme alegre, longe disso aliás, mas porque assistimos ao renascimento da nossa confiança na arte cinematográfica, constatando que depois de mais de cem anos ainda há muito território criativo por explorar. E aqui Paul Thomas Anderson teve o talento de "perfurar" no terreno certo, criando a sua melhor obra até ao momento.
A outra face da moeda é Eli Sunday (interpretação excepcional de Paul Dano), jovem líder da “Igreja da Terceira Revelação”, arquétipo de tantas religiões apocalípticas nascidas na América e que nos remetem para a realidade das frustrações das comunidades do oeste, subjugadas à dureza do terreno e do clima. A fé é o escape e Eli é um hábil manipulador das incertezas do seu povo, organizando histriónicas missas com milagres de encher o olho. O homem da fé, Eli, e o homem do dinheiro, Daniel, são no fundo dois seres movidos pela ambição e por isso as suas personalidades competitivas entram em choque constante.



A história do cinema nem sempre é justa com alguns dos seus protagonistas mais relevantes. A enorme mediatização imposta sobre a vida e obra de alguns realizadores, em conjunto com a crescente relevância que os críticos cinematográficos alcançaram nas últimas décadas, conduzem cada vez mais a fenómenos atípicos em que personalidades medíocres são aplaudidas e premiadas, enquanto que artistas maiores e influentes são conscientemente ignorados.
