segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Os melhores "Prison Movies"

Depois do texto sobre "Os Condenados de Shawshank" publicado na abertura deste blog surgiu a sugestão para que fizesse um top ten dos melhores filmes passados em prisões. Como qualquer lista do género são sempre muitos os que ficam de fora, quer por falta de "espaço" na lista ou simplesmente porque nunca os vi. Aí está a lista dos dez melhores a que já assisti sem nenhuma ordenação especial.
- "Os Condenados de Shawshank" ("The Shawshank Redemption", 1994): Foi devido a este filme que esta lista nasceu e assim surge, com mérito, referido entre ela. É um filme de prisão porque a sua acção decorre no interior duma, mas a reflexão moral e de vida que o perpassa são maiores do que "aqueles muros de pedra" que assomam sobre os prisioneiros. Para mais algumas ideias leia-se o post anterior publicado neste blog.
- "O Buraco" ("Le Trou", 1960): Este filme quase desconhecido representou o adeus do realizador francês Jacques Becker ao cinema e à vida (faleceu pouco depois de o terminar). Mas despediu-se com uma obra-prima magistral, de um rigor fílmico enorme e onde nada é deixado de parte. Cinco homens encerrados numa cela exígua planeiam fugir da prisão. Os árduos trabalhos de escavação e limpeza são retratados de forma quase documental, sentimos o enorme esforço físico e, mais relevante ainda, as tensões psicológicas entre personagens cujo passado desconhecemos e das quais, também por isso, desconfiamos. O plano é quase perfeito e só uma traição poderá denunciá-lo. A ver sem restrições.
- "Papillon" ("Papillon", 1973): Baseando-se na obra homónima e autobiográfica de Henri Charriére, o realizador Franklin J. Schaffner transporta-nos para a Ilha do Diabo, uma das mais horríveis colónias penais francesas. Um criminoso menor (Steve McQueen) é condenado a cumprir pena naquela prisão da Guiana Francesa por, supostamente, ter assassinado um proxeneta. Lá irá conhecer Louis Dega (interpretação magnífica de Dustin Hoffman) e envolver-se, ao longo de vários anos, numa série de tentativas de fuga impressionantes. Uma crónica impactante sobre a persistência do espírito humano face ao terror e ao horror de um inferno prisional.
- "Os Fugitivos de Alcatraz" ("Escape from Alcatraz", 1979): Filme soberbo, entre o rol de colaborações de excepção entre o realizador Don Siegel e o actor Clint Eastwood, "Os Fugitivos de Alcatraz" transcorre no espaço da mais mítica prisão do mundo. Alimentado pelo seu ódio contra o regime brutal e desumano imposto pelo director da cadeia (Patrick McGoohan), Eastwood desenvolve um engenhoso plano que culminará com uma espectacular fuga e o encerramento de Alcatraz. Evitando alguns dos clichés do género, Don Siegel centrou-se no essencial (uma perspectiva rigorosa herdada dos realizadores franceses), revelando cada passo do esquema num crescendo de sensações e construindo thriller calculista e fascinante.
- "A grande evasão" ("The Great Escape", 1963): A história real de um campo de prisioneiros de guerra durante a II Guerra Mundial é trazida à vida por John Sturges neste genial épico de aventura e tensão. Apoiando-se num colossal ensemble de actores (Steve McQueen, Richard Attenborough, James Garner, James Coburn e Charles Bronson, apenas para destacar alguns) cria o relato humano de um dos mais arrojados planos de fuga jamais criados, capaz de despertar os mais rasgados sorrisos e também a mais profunda comoção. São quase três horas de entretenimento puro, generosamente complementado pela rica composição musical de Elmer Bernstein, que sublinha o delicioso humor de algumas personagens, mas também a tragédia que as envolve.
- "Fugiu um Condenado à Morte" ("Un Condamné à Mort C'Est Echappé", 1956): Esta será talvez a obra menos hermética e inacessível do mestre gaulês Robert Bresson e, simultaneamente, um dos melhores exemplos da forma contida e, podemos dizê-lo, minimalista como realizava. E esse estilo adequa-se na perfeição ao tema de um homem desesperado que tenta fugir de uma quase inexpugnável prisão nazi. Tudo é reduzido ao essencial: o isolamento contínuo da personagem central vai ampliando a urgência de uma solução e do desfecho que se antevê. O resto é o mais puro suspense, ancorado na crueza com que Bresson enfoca esta narrativa quase muda (poucos diálogos e quase nenhuma música), sublimando as suas próprias experiências pessoais durante a II Grande Guerra.
- "A Ponte sobre o Rio Kwai" ("The Bridge on the River Kwai", 1957): Se existiu alguém capaz de filmar uma história tão grandiosa como esta, essa pessoa foi David Lean. Mestre total do Épico (o E maíusculo não é acidente), Lean inflou este relato de um grupo de militares ingleses encarcerados num campo de prisioneiros japonês com uma dimensão humana e visual raramente atingidas e só superadas no seu "Lawrence da Arábia". Alec Guinness lidera estoicamente o seu pelotão nos faraónicos trabalhos de construção de uma ponte, apertado pela pressão do tempo, incorporada no Coronel Saito (excelente Sessue Hayakawa). Paralelamente desenvolve-se uma missão quase suicida para a destruição da mesma, liderada por um relutante ex-prisioneiro americano (William Holden). Talvez a maior metáfora cinematográfica jamais criada sobre a loucura e futilidade da guerra. Incontornável.
- "Gulag" ("Gulag", 1985): Uma pequena delícia este thriller criado directamente para TV. Um engenheiro de televisão (David Keith) vê-se envolvido num obscuro esquema do KGB que termina com a sua prisão num gulag siberiano. Desesperado pela sentença de 10 anos a que foi condenado, decide então fugir contando com a colaboração de um cínico espião britânico (Malcolm McDowell). "Gulag" evoca os fantasmas esquecidos da guerra fria e da forma como o ocidente via o mundo obscuro que se escondia por detrás da cortina de ferro. McDowell, um dos actores mais desaproveitados dos últimos 30 anos, oferece-nos mais uma grande actuação.
- "Stallone: Prisioneiro" ("Lock Up", 1989): Certamente o filme menos consensual desta lista, mas também um dos melhores exemplos daquilo que o típico prison movie deve ser. É inegável que muitas das obras deste género que se produziram depois, como "O Último Castelo", foram fortemente influenciadas por este esforço imperfeito do realizador John Flynn. Sylvester Stallone interpreta um simpático prisioneiro, condenado por um crime menor, cuja pena está prestes a terminar. Aí surge Donald Sutherland, interpretando um sádico director de prisão que moveu influências para levar Stallone para o seu "inferno". Por entre alguns lugares-comuns e personagens estereotipadas, este filme vence sobretudo pela forma sincera como aborda a temática prisional e remete-se simplesmente à categoria de filme que representa: excelente entretenimento.
- "O Expresso da Meia-Noite" ("The Midnight Express", 1978): Fecha-se esta lista com um dos incontornáveis clássicos do filme de prisões, um doloroso relato escrito por Oliver Stone e realizado por Alan Parker. Um turista americano (Brad Davis) decide arriscar tudo ao tentar transportar uma grande quatidade de droga para a Turquia. O sistema legal do país decide fazer dele um exemplo e condena-o a 30 anos no terror de uma prisão de condições indescritíveis. Longe de casa, alienado por um mundo indiferente e imensamente cruel, a única solução será apanhar o "expresso da meia-noite", nome dado ali às tentativas de fuga da prisão. Com esta obra Alan Parker, indo beber à tradição iniciada por "Papillon", elevou a fasquia no que toca à representação da loucura destilada no ambiente prisional e da imensa violência que o atravessa.

3 comentários:

Dieubussy disse...

Todos excelentes filmes, sem dúvida. Ficaram de fora Con Air, um filme que reinventa o conceito de filme-de-prisão colocando o espaço cerrado e claustrofóbico da prisão numa fortaleza aérea em pleno motim. Grandes actores contrastam com uma má produção/realização. Ainda assim um filme de grande divertimento.

Birdman of Alcatraz parece-me ser o grande esquecido.

Excelente lista.

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